sexta-feira, março 25, 2011

Atritos - Roberto Crema

Ninguém muda ninguém;

ninguém muda sozinho;
nós mudamos nos encontros.
Simples, mas profundo, preciso.
É nos relacionamentos que nos transformamos

Somos transformados a partir dos encontros,
desde que estejamos abertos e livres
para sermos impactados
pela idéia e sentimento do outro.

Você já viu a diferença que há entre as pedras
que estão na nascente de um rio,
e as pedras que estão em sua foz?
As pedras na nascente são toscas,
pontiagudas, cheias de arestas.

À medida que elas vão sendo carregadas
pelo rio, sofrendo a ação da água
e se atritando com as outras pedras,
ao longo de muitos anos,
elas vão sendo polidas, desbastadas.

Assim também agem nossos contatos humanos.
Sem eles, a vida seria monótona, árida.
A observação mais importante é constatar
que não existem sentimentos, bons ou ruins,
sem a existência do outro, sem o seu contato.

Passar pela vida sem se permitir
um relacionamento próximo com o outro,
é não crescer, não evoluir, não se transformar.

É começar e terminar a existência
com uma forma tosca, pontiaguda, amorfa.
Quando olho para trás, vejo que hoje carrego em meu ser
várias marcas de pessoas extremamente importantes.

Pessoas que, no contato com elas,
me permitiram ir dando forma ao que sou,
eliminando arestas, transformando-me em alguém melhor,
mais suave, mais harmônico, mais integrado.

Outras, sem dúvida,
com suas ações e palavras me criaram novas arestas,
 que precisaram ser desbastadas.

Faz parte...
Reveses momentâneos servem para o crescimento.
A isso chamamos experiência.
Penso que existe algo mais profundo,
ainda nessa análise.
Começamos a jornada da vida como grandes pedras, cheias de excessos.

Os seres de grande valor,
percebem que ao final da vida,
foram perdendo todos os excessos
que formavam suas arestas,
se aproximando cada vez mais de sua essência,
e ficando cada vez menores, menores, menores...

Quando finalmente aceitamos
que somos pequenos, ínfimos,
dada a compreensão da existência
e importância do outro,
e principalmente da grandeza de DEUS,
é que finalmente nos tornamos grandes em valor.

Já viu o tamanho do diamante polido, lapidado?
Sabemos quanto se tira
de excesso para chegar ao seu âmago.
É lá que está o verdadeiro valor...

Para chegarmos a esse âmago,
temos que nos permitir,
através dos relacionamentos,
ir desbastando todos os excessos
que nos impedem de usá-lo,
de fazê-lo brilhar.


quinta-feira, março 24, 2011

Whatever - Oasis

I'm free to be whatever I
Whatever I choose
And I'll sing the blues if I want

I'm free to say whatever I
Whatever I like
If it's wrong or right it's alright

Always seems to me
You only see what people want you to see

How long's it gonna be
Before we get on the bus
And cause no fuss
Get a grip on yourself
It don't cost much

Free to be whatever you
Whatever you say
If it comes my way it's alright

You're free to be wherever you
Wherever you please
You can shoot the breeze if you want

Crítica (des)construtiva

Para começo de conversa, hoje resolvi mudar um porco o enfoque das coisas... kkk

Conclui que a maioria das pessoas tem problemas. Na verdade, todos temos problemas. Mas aqui me refiro às pessoas que criam empecilhos, entraves, dramas que não existem, ou pelo menos não deveriam existir... Pois é, essas pessoas realmente me cansam.

Não sei se isso acontece porque já fui assim, ou porque já vi e vivi demais para concluir que isso só pode acontecer porque deixamos de agir com racionalidade e nos guiamos por medos e preconceitos tão instintivos quanto insanos.

Ninguém escolhe racionalmente sofrer, mas o fazemos inconscientemente quando estamos no auge da infelicidade. Guiamo-nos pela auto-comiseração! Agora porque preferimos a pena à admiração?!

É muita incoerência... Principalmente, considerando que estou aqui, na qualidade de conselheira, desabafando, quando constato que já fiz isso milhares de vezes.

Qualquer pessoa numa situação de intensa infelicidade está propensa a se comportar de maneira destrutiva. O primeiro sintoma disso é negar o problema e maltratar, repelir e hostilizar todos os que podem nos ajudar. É um ódio tão irracional, mas tão legítimo, "afinal, quem essa pessoa acha que é para dizer o que devo ou não fazer? na verdade, ela nem se importa, só quer se livrar de mim, porque assim incomodo menos"... Quem é que pode me conhecer melhor que eu mesmo? Talvez alguém que tenha vivido uma experiência tão destruidora quanto a que narrei.

Ah! Mas como é difícil aceitar que alguém veja nossos medos e angústias com tanta clareza... É insuportavelmente odioso! Por isso toda a hostilidade e o comportamento refratário às críticas. Principalmente, se a pessoa que lhe cutuca as feridas é próxima... Como é estranhamente mais fácil atacar aqueles que nos são mais caros. Acertadamente, eles estão sempre ao alcance de todo nosso potencial destrutivo.

Por isso, abramo-nos ao contato com o outro! Alguém muito sábio disse que o crescimento vem com os atritos, porque só assim nos lapidamos e revelamos nossa essência.

Se houver uma próxima vida, prometo ser mais paciente... Mas considerando que só tenho essa, depois que eu descansar um pouco, volto a dar conselhos para as portas e paredes na esperança de ser ouvida... E tentarei não me cansar!

terça-feira, março 08, 2011

Autor desconhecido

Todo mundo tem segredos. Ou pelos menos as pessoas interessantes. Nada mais chato que alguém mapeado, retilíneo, constante, bonzinho, doce, amável. Para mim, vale a pena quem tem um cadáver no armário, uma sombra perigosa, um poço fundo. Pessoas simplórias são como muitos dias de sol seguidos: agradáveis e infinitamente entediantes. A falta de obviedade desperta a curiosidade. Não é à toa que os mitos nascem da dualidade, da pouca incidência de clareza sobre sua personalidade. Somos fascinados pelo que não entendemos, amamos o desconhecido. Por isso mergulha-se à noite, escala-se o Himalaia, come-se fora de casa, trai-se. É só quando ultrapassamos a barreira do familiar, do seguro, que nos tornamos verdadeiramente pessoas. Menos ingênuas, é certo, mas completas. Ter segredos é viver intensamente, é a prova de que a realidade é muito mais do que nossos forçados sorrisos de bom dia, ter segredos é ter coragem de arcar com o peso de ser único. Quem não se arrisca, não vive. Apenas caminha sobre os dias rumo à morte.

sexta-feira, março 04, 2011

Escrever, sempre é autobiográfico...