terça-feira, maio 24, 2011

(Re)definições

Você não é depressivo, bipolar ou tem insônia.
Somente fica triste às vezes, muda de humor e dorme tarde. 

sábado, abril 09, 2011

Homenagem de um amigo

Tudo começou quando me disseram que tinha passado dos 30... ah, caro amigo, como fiquei injuriada... mas após a explicação (que em muito me agradou), segue o meu especial agradecimento:


Quem são as Balzaquianas?

Diz-se da mulher de aproximadamente 30 anos. O termo refere-se à obra do escritor francês Honoré de Balzac, que escreveu "A mulher de 30 anos". Antes um pouco pejorativo, na época em que a mulher de 30 anos já era considerada "coroa", hoje um rasgado elogio àquelas, que, aos 30, estão na flor da idade, atraentes não só por sua beleza, mas também por se encontrarem na plenitude de sua feminilidade, das conquistas profissionais, amorosas, familiares, financeiras, sociais, etc! Enfim, o apogeu de si própria, o supra-sumo da feminilidade, o equinócio hormonal entre beleza, vivência e independência.

E diz-se por aí, que a brasileira de 30, substitui fácil, fácil duas de 15... pelo menos é o que diz a maioria...

Há quem empregue a palavra Balzaquiana de forma pejorativa e até negativa. Mas, na realidade, é com 30 anos que as mulheres chegam ao seu ápice: mais maduras, realistas e vividas, elas esbanjam sensualidade e realização.

Fonte: http://www.balzaquianas.com/p/quem-sao-as-balzaquianas.html

sexta-feira, março 25, 2011

Atritos - Roberto Crema

Ninguém muda ninguém;

ninguém muda sozinho;
nós mudamos nos encontros.
Simples, mas profundo, preciso.
É nos relacionamentos que nos transformamos

Somos transformados a partir dos encontros,
desde que estejamos abertos e livres
para sermos impactados
pela idéia e sentimento do outro.

Você já viu a diferença que há entre as pedras
que estão na nascente de um rio,
e as pedras que estão em sua foz?
As pedras na nascente são toscas,
pontiagudas, cheias de arestas.

À medida que elas vão sendo carregadas
pelo rio, sofrendo a ação da água
e se atritando com as outras pedras,
ao longo de muitos anos,
elas vão sendo polidas, desbastadas.

Assim também agem nossos contatos humanos.
Sem eles, a vida seria monótona, árida.
A observação mais importante é constatar
que não existem sentimentos, bons ou ruins,
sem a existência do outro, sem o seu contato.

Passar pela vida sem se permitir
um relacionamento próximo com o outro,
é não crescer, não evoluir, não se transformar.

É começar e terminar a existência
com uma forma tosca, pontiaguda, amorfa.
Quando olho para trás, vejo que hoje carrego em meu ser
várias marcas de pessoas extremamente importantes.

Pessoas que, no contato com elas,
me permitiram ir dando forma ao que sou,
eliminando arestas, transformando-me em alguém melhor,
mais suave, mais harmônico, mais integrado.

Outras, sem dúvida,
com suas ações e palavras me criaram novas arestas,
 que precisaram ser desbastadas.

Faz parte...
Reveses momentâneos servem para o crescimento.
A isso chamamos experiência.
Penso que existe algo mais profundo,
ainda nessa análise.
Começamos a jornada da vida como grandes pedras, cheias de excessos.

Os seres de grande valor,
percebem que ao final da vida,
foram perdendo todos os excessos
que formavam suas arestas,
se aproximando cada vez mais de sua essência,
e ficando cada vez menores, menores, menores...

Quando finalmente aceitamos
que somos pequenos, ínfimos,
dada a compreensão da existência
e importância do outro,
e principalmente da grandeza de DEUS,
é que finalmente nos tornamos grandes em valor.

Já viu o tamanho do diamante polido, lapidado?
Sabemos quanto se tira
de excesso para chegar ao seu âmago.
É lá que está o verdadeiro valor...

Para chegarmos a esse âmago,
temos que nos permitir,
através dos relacionamentos,
ir desbastando todos os excessos
que nos impedem de usá-lo,
de fazê-lo brilhar.


quinta-feira, março 24, 2011

Whatever - Oasis

I'm free to be whatever I
Whatever I choose
And I'll sing the blues if I want

I'm free to say whatever I
Whatever I like
If it's wrong or right it's alright

Always seems to me
You only see what people want you to see

How long's it gonna be
Before we get on the bus
And cause no fuss
Get a grip on yourself
It don't cost much

Free to be whatever you
Whatever you say
If it comes my way it's alright

You're free to be wherever you
Wherever you please
You can shoot the breeze if you want

Crítica (des)construtiva

Para começo de conversa, hoje resolvi mudar um porco o enfoque das coisas... kkk

Conclui que a maioria das pessoas tem problemas. Na verdade, todos temos problemas. Mas aqui me refiro às pessoas que criam empecilhos, entraves, dramas que não existem, ou pelo menos não deveriam existir... Pois é, essas pessoas realmente me cansam.

Não sei se isso acontece porque já fui assim, ou porque já vi e vivi demais para concluir que isso só pode acontecer porque deixamos de agir com racionalidade e nos guiamos por medos e preconceitos tão instintivos quanto insanos.

Ninguém escolhe racionalmente sofrer, mas o fazemos inconscientemente quando estamos no auge da infelicidade. Guiamo-nos pela auto-comiseração! Agora porque preferimos a pena à admiração?!

É muita incoerência... Principalmente, considerando que estou aqui, na qualidade de conselheira, desabafando, quando constato que já fiz isso milhares de vezes.

Qualquer pessoa numa situação de intensa infelicidade está propensa a se comportar de maneira destrutiva. O primeiro sintoma disso é negar o problema e maltratar, repelir e hostilizar todos os que podem nos ajudar. É um ódio tão irracional, mas tão legítimo, "afinal, quem essa pessoa acha que é para dizer o que devo ou não fazer? na verdade, ela nem se importa, só quer se livrar de mim, porque assim incomodo menos"... Quem é que pode me conhecer melhor que eu mesmo? Talvez alguém que tenha vivido uma experiência tão destruidora quanto a que narrei.

Ah! Mas como é difícil aceitar que alguém veja nossos medos e angústias com tanta clareza... É insuportavelmente odioso! Por isso toda a hostilidade e o comportamento refratário às críticas. Principalmente, se a pessoa que lhe cutuca as feridas é próxima... Como é estranhamente mais fácil atacar aqueles que nos são mais caros. Acertadamente, eles estão sempre ao alcance de todo nosso potencial destrutivo.

Por isso, abramo-nos ao contato com o outro! Alguém muito sábio disse que o crescimento vem com os atritos, porque só assim nos lapidamos e revelamos nossa essência.

Se houver uma próxima vida, prometo ser mais paciente... Mas considerando que só tenho essa, depois que eu descansar um pouco, volto a dar conselhos para as portas e paredes na esperança de ser ouvida... E tentarei não me cansar!

terça-feira, março 08, 2011

Autor desconhecido

Todo mundo tem segredos. Ou pelos menos as pessoas interessantes. Nada mais chato que alguém mapeado, retilíneo, constante, bonzinho, doce, amável. Para mim, vale a pena quem tem um cadáver no armário, uma sombra perigosa, um poço fundo. Pessoas simplórias são como muitos dias de sol seguidos: agradáveis e infinitamente entediantes. A falta de obviedade desperta a curiosidade. Não é à toa que os mitos nascem da dualidade, da pouca incidência de clareza sobre sua personalidade. Somos fascinados pelo que não entendemos, amamos o desconhecido. Por isso mergulha-se à noite, escala-se o Himalaia, come-se fora de casa, trai-se. É só quando ultrapassamos a barreira do familiar, do seguro, que nos tornamos verdadeiramente pessoas. Menos ingênuas, é certo, mas completas. Ter segredos é viver intensamente, é a prova de que a realidade é muito mais do que nossos forçados sorrisos de bom dia, ter segredos é ter coragem de arcar com o peso de ser único. Quem não se arrisca, não vive. Apenas caminha sobre os dias rumo à morte.

sexta-feira, março 04, 2011

Escrever, sempre é autobiográfico...

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Guimarães Rosa

Amo os grandes rios, pois são profundos como a alma dos homens. Na superfície são muito vivazes e claros, mas nas profundezas são tranquilos e escuros como os sofrimentos dos homens. Amo ainda mais uma coisa de nossos grandes rios: sua eternidade. Sim, rio é uma palavra mágica para conjugar eternidade...

Saramago

Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.

domingo, fevereiro 20, 2011

Uma pedra em minha vida... ou a pedra do caminho

Um dia  subi até o alto da serra. Lá de cima se vê o vale lá embaixo. Boa Esperança, diminuída na distância, deitada entre o verde dos campos e o azul do rio Grande, imenso, que Furnas transformou em ,ar. Lá de cima, olhando para baixo, a gente se pergunta: "o que estarão fazendo?". Antoine de Sant-Exupéry fazia a mesma pergunta nos vôos noturnos, ao ver os pontos luminosos que marcavam casas e pessoas, lá embaixo, no meio da escuridão. Vi uma pedra no chão, pedra comum, sem nada de especial e pensei que ela estava lá há milhões de anos, contemplando o vale. peguei os milhões de ano nas mãos e o vale que ela tinha dentro...
Aí fiz uma maldade: tirei-a da sua casa e trouxe-a para o meu escritório. Quando olho para ela lembro-me da serra e do vale...
[Rubem Alves]

"Antes de tudo, sou uma cientista", disse. Ou pelo menos é assim que eu queria ser. Sou curiosa. À morte por um segredo. Desde que me lembre, sempre estive de fora das brincadeiras, dos padrões, da lógica e do gosto das outras crianças. Dava-me bem com adultos, talvez por isso tenha-se tornado tão ávida a minha busca por aquele universo. As crianças eram perversas e os adultos instigantes, tudo o que uma mente curiosa precisava.

Nos momentos em que me encontrava sozinha (que era todo o tempo que não tinha a atenção de um adulto, ou que era obrigada ao convívio com os demais), devorava toda e qualquer fonte de informação disponível: livros, dicionários, enciclopédias, jornais, revistas, 'causos'... Os 'causos' dos antigos, ah, esses casos... transportavam-me  para um tempo em que jamais vivi, ou será que o vivia a cada relato?! Colecionava tudo o que fosse antigo, que tivesse uma história maior que a minha. Também pudera. Tudo o que tivesse mais de dez anos, ou tivesse pertencido a alguém acima dessa idade preencheria tal requisito. Virei uma colecionadora de quinquilharias. Ah, esses novos companheiros foram de especial alento em momentos de solidão... uma solidão que me consumia, mas também era alimento para minha mente. Fases, e fases.


Na curiosidade por desvendar os segredos que as palavras escondiam, aprendi a ler quase que por instinto... contudo, essa seda jamais foi saciada, só fazia crescer e diversificar. Ah, a TV a cabo e as publicações científicas. Pena a disponibilidade da web não ter acompanhado os anos mais alucinantes dessa jornada. Terminei por me enclausurar em mim mesma e nos vários cômodos em que solitariamente podia exercer minha vocação para procurar respostas aos questionamentos que ninguém se ocupa. Preguiça ou falta de imaginação?


Sonhar descobrir fórmulas milagrosas. Das poções feitas com artigos vindos da horta de vovó, às pesquisas e publicações científicas. Como a Química fez bem, à minha vida. Amigos que jamais esquecerei, amadurecimento forçado em tempo récorde. Mas cada noite não/mal dormida fez milagres pela minha experiência antropófaga contínua. Tantas descobertas e um 'multiverso' a desvendar.


De tanto buscar conteúdo, sentia-me rasa. Preferia os livros às pessoas. Medo do mundo. Confesso que minha necessidade de tornar tudo um sistema logicamente observável (quando não governável), tornou-me menos propensa a sentir. Não que meus sentimentos não existisse, só os racionalizava. Passional! Como se a cada momento luto para não estabelecer uma razão lógica para cada suspiro ou reação emocional. Uma consciência dual e um ser tão avidamente lógico e coerente. Quanta incoerência!


Hoje eu sou apenas o reflexo de quem gostaria de ser. Como que perdida na 'caverna de Platão', tateio em busca da verdade.


Essa era para ser a história de como decidi ser uma pesquisadora, e talvez ainda o seja. Isso se souberem que na fome da minha curiosidade, a primeira coisa que colecionei foi uma pedra... na verdade, um cristal de quartzo que até então me acompanhava. Hoje se perdeu numa das várias mudanças por que passei, mas a imagem do seu prisma após ser lapidado, essa nunca se perderá. Foi assim que a minha curiosidade nessa busca incansável por informação esbarrou na ciência. Quando uma pedra comum, trouxe-me uma parcela dos milhões de anos de conhecimento que ela encerrava.


A dúvida que me persegue desde então é: se o ícone da minha jornada pôde perder-se, como resgatar a fonte desse sentimento vibrante que transformou-me no Abaporu de minha própria existência? Talvez o ícone marcasse uma fase agora concluída. Alguém me disse que 'o que te trouxe até aqui, agora não é mais suficiente para o resto da caminhada'. É preciso achar meu norte em outra direção.

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Clarice Lispector

Eu tinha que eu mesma me erguer de um nada, tinha eu mesma que me entender, eu mesma inventar por assim dizer a minha verdade...